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Rompimento é considerado o maior acidente de trabalho registrado no País

O crime se repete, agora na cidade de Brumadinho. A lama tóxica novamente desceu levando o que estava em seu caminho, deixando centenas de desaparecidos e famílias angustiadas pela falta de informações.  São familiares de trabalhadores da Vale, de empresas terceirizadas, moradores de Brumadinho e entorno, e até turistas.

Assiste-se novamente o lucro das mineradoras valer mais que vidas. O novo crime socioambiental é praticado pela mesma empresa que até hoje não pagou pelos danos que causou em Mariana e na bacia do Rio Doce, em 2015. Samarco também é Vale. Ainda impune, com mais sangue de trabalhadores em suas mãos, esta empresa segue deixando rastro de lama e morte em Minas Gerais. Por outro lado, autoridades públicas e mineradoras não aprenderam com a história, inclusive, há intenção de afrouxar leis ambientais para favorecer empresas de exploração.

De acordo com dados atualizados pela Defesa Civil, até o momento foram confirmadas 84 mortes e 276 pessoas ainda estão desaparecidas. As buscas já estão no sexto dia, e, de acordo com o Corpo de Bombeiros, vão diminuindo as chances de se encontrarem sobreviventes.

O crime do rompimento da barragem Mina do Feijão, em Brumadinho, já é considerado o segundo pior no mundo em três décadas, de acordo com Relatório da Agência de Meio Ambiente das Nações Unidas. A tragédia pode registrar número de vítimas maior que a provocada na Itália pela empresa Prealpi Mineraria, que varreu as cidades de Stava e Tesero, matando 267 pessoas, em 1985. O rompimento também já é apontado como o maior acidente de trabalho da história do País, e acontece em um momento que as ações do governo federal vão todas no sentido de acabar com o Ministério do Trabalho, deixando trabalhadores ainda mais vulneráveis sem a fiscalização e atuação do órgão.

As perdas se ampliam com incalculável dano ao meio ambiente. A lama tóxica de rejeitos de mineração segue descendo a Serra dos Dois Irmãos, contaminando o Rio Paraopeba, afetando áreas de Mata Atlântica, destruindo fauna e flora.

De acordo com informações do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) há uma previsão de chegada da lama à Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo entre os dias 5 e 10 de fevereiro. A usina é a única barreira que separa a lama do Rio São Francisco, um dos maiores rios do País e fonte de água para grande parte da população nordestina.

As vítimas fatais aumentam a cada dia, e comunidades ficam devastadas pela perda de familiares e dos meios de sustento e vida. Lavouras foram destruídas. Animais foram arrastados e agonizam na lama. Este quadro desolador configura a dimensão de um crime econômico e socioambiental que atinge, também, a agricultura familiar.

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