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O desafio agora é promover a formação junto aos demais dirigentes e nas bases

Aconteceu de 4 a 6 de dezembro, o último módulo do Curso de Formação de Formadores Continuado. O curso reuniu dirigentes sindicais de diversas áreas como extensão rural, agricultores familiares, metalúrgicos, servidores públicos e professores e busca consolidar e fortalecer a discussão sobre o sindicalismo, preparando os dirigentes para atuarem como disseminadores da história e importância da luta sindical, destacando as lideranças sindicais para a atuação em um cenário de desafios cada vez maiores.

O curso foi realizado pela Escola Sindical 7 de Outubro, em dois módulos e promoveu a troca de experiências formativas, formas de organização e lutas e abordou temas que impulsionam uma reflexão acerca do sindicalismo no Brasil, com o desenvolvimento de trabalhos em grupo e outras atividades, inclusive atividades formativas realizadas com os trabalhadores nas bases e apresentadas aos demais.

O primeiro módulo foi realizado em Juiz de Fora, entre os dias 27 a 29 de setembro, objetivando a descentralização do processo formativo, com troca de experiências entre várias entidades sindicais. A responsabilidade pela organização e logística, ficou a cargo dos representantes sindicais do SINTER-MG, STIM/JF (Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora) e SINDSEP (Sindicato dos Servidores Públicos Federais  de Minas Gerais), sob coordenação do educador da Escola 7 de Outubro, Emanoel Sobrinho.

Nesta etapa da formação foi realizado debate sobre a reforma trabalhista e seus efeitos no movimento sindical, ficando claro que é preciso urgentemente serem criadas formas de enfrentamento deste retrocesso dos direitos dos trabalhadores. No segundo dia foi a vez de se realizar a atividade de campo. Os representantes visitaram a planta da Mercedez Bens, foram a Coronel Pacheco conhecer o acampamento Gabriel Pimenta, do MST, onde as lideranças fizeram uma explanação dialogada sobre os ideais do movimento, dificuldades, pontos positivos e negativos, principais regras seguidas e perspectivas de luta. Em seguida, o grupo passou pelo assentamento Denis Gonçalves, dando continuidade ao diálogo, mas agora com participação dos extensionistas da Emater-MG, Ana Luísa e Milton Xavier, que falaram sobre o papel da extensão rural pública para o desenvolvimento produtivo dos assentados, as dificuldades de realização de uma boa assistência técnica, que se torna uma tarefa árdua, frente à falta de interesse político dos governantes para com a agricultura familiar e a ATER pública.

As três diferentes realidades vivenciadas colocam em evidência a desigualdade do sistema capitalista e a necessidade de levantar um debate crítico sobre o poder do capitalismo, que explora seu operariado, além da realidade dos assentados e acampados, que vivem de forma precária e sofrem com a falta de recursos e assistência técnica.

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O segundo e último módulo aconteceu na sede da Escola 7 de Outubro, com um debate sobre o sindicalismo ao longo da história, principais pontos negativos, divisões, e principais erros. Este módulo foi marcado também pela participação do grupo, no dia 5/12 no ato contra a antirreforma da Previdência, convocado pela CUT MG, com a participação de outras entidades sindicais e movimentos sociais.

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Na visão da diretora de Comunicação e Cultura, Janya Costa, a aproximação com outras entidades sindicais, propiciada pelo curso, foi fundamental: “o curso foi e está sendo uma oportunidade única de aproximação com outros sindicatos, pois a turma é muito diversa e composta de companheiros muito engajados com a luta. O educador da Escola, Emanoel Sobrinho, nos chama à reflexão crítica, por meio de contextualização histórica, da nossa responsabilidade enquanto formadores e sujeitos inseridos no processo. A lição que fica é que para qualquer luta que assumirmos, precisaremos de união e força. O SINTER-MG, ao investir na formação, se apropria dessa responsabilidade e chama os trabalhadores a resistirem, pois o golpe continua em curso e se renova todos os dias.”

O diretor de formação sindical, Ronaldo Aquino, avalia a capacitação como fundamental para formar dirigentes à altura dos desafios que o movimento sindical enfrenta: “Os cursos são um espaço de reflexão e ação para renovação da nossa capacidade de luta, para os enfrentamentos que o cenário atual apresenta e o plano é ampliar essa formação para toda a base.”

Analisando a conjuntura atual e observando-se a importância da capacitação dos dirigentes sindicais para o enfrentamento, Osvair Antônio de Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora – STIM/JF avalia o momento vivido pelos trabalhadores como um período em que se faz necessária a valorização do diálogo social, visando buscar um equilíbrio real na relação de força entre governos, sindicatos e empresários, pois, na opinião do sindicalista, os sindicatos estão com a representatividade enfraquecida e isso gera um grave processo de rupturas como o que estamos vivendo atualmente, com reformas que revogam conquistas históricas.

Osvair Antônio de Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora – STIM/JF

Osvair Antônio de Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora – STIM/JF

O educador da Escola 7 de Outubro, Manoel Sobrinho, ressalta que as entidades devem, cada vez mais, buscar retomar o protagonismo na luta social, promovendo avanços nas pautas de condições de trabalho, saúde do trabalhador, bem estar social, pois só com o resgate desse protagonismo, as entidades sindicais conseguirão barrar esse período de ruptura democrática, que impõe uma retirada de direitos como jamais se viu na história do País.

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