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Falta de informações por parte da Empresa traz angústia a familiares e parentes das vítimas

Após a devastação causada pela lama de rejeitos da Barragem Córrego do Feijão, a exemplo do que aconteceu em Mariana, a mineradora Vale segue tentando esconder a gravidade do crime que cometeu. Famílias seguem sem informações dos desaparecidos e são impedidas até mesmo de se aproximar do local da tragédia.

Letícia Oliveira, da Coordenação Estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em conversa com o jornalismo do SINTER-MG, reforçou que no momento, a principal reivindicação dos atingidos é ter informação sobre os desaparecidos e do andamento das buscas. De acordo com Letícia, os atingidos passam o dia inteiro sem notícias, tanto no Córrego do Feijão, como em Brumadinho: “As poucas informações que recebemos, são repassadas pela Defesa Civil, que não consegue nos dar toda a dimensão do cenário, somente informações pontuais. O nosso Movimento chegou a organizar manifestações para cobrar o repasse de informações de forma regular pela Vale, que não tem aparecido para falar com as famílias. Contamos com participação do Ministério Público em reuniões realizadas.”

A coordenadora ressalta ainda a luta vivida pelas famílias de Mariana: “Três anos depois de Mariana, o crime se repete e não há reparação, não há reassentamento, não foi feita justiça para os atingidos. Esperamos que nessa nova tragédia haja justiça, que os responsáveis sejam punidos, que as famílias tenham todos os seus direitos assegurados.”

Joceli Andrioli, da coordenação Nacional do Movimento, critica a falta de participação de representantes dos atingidos e de movimentos populares nos grupos criados para avaliar respostas ao crime: “Mais uma vez, temos um desastre criminoso e novamente tentam excluir os atingidos das discussões de reparação. Só com a participação dos atingidos, conseguiremos assegurar ações que garantam uma reparação efetiva.” Outro ponto questionado por Joceli é o desencontro de informações fornecidas pela Empresa: “Precisamos também de maior apoio àqueles que seguem com informações desencontradas dos números de desaparecidos e ausência de informações das ações da Empresa, que se omite, mais uma vez. ”

Entre as conquistas do MAB, após muita mobilização em esforço conjunto com Ministério Público, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública do Estado, o Ministério Público de Minas Gerais suspendeu o cadastramento dos atingidos pela lama, que estava sendo feito por empresa contratada pela Vale e determinou que este controle seja feito por empresas públicas, o que garantirá mais transparência às famílias sobre as informações das vítimas. O grupo conseguiu ainda que direitos como traslado, alimentação, funeral e atendimento psicossocial sejam assegurados pela mineradora.

Como ajudar?

O SINTER-MG, consciente do seu papel enquanto entidade social, busca formas de ajudar os atingidos pelo rompimento da barragem. O Sindicato, em contato com a Defesa Civil de Brumadinho para avaliar formas de apoiar com doações, foi informado de que não estão sendo recebidos mais donativos, pois há um estoque grande e que a Vale tem sido cobrada a prestar toda a assistência necessária aos atingidos, arcando com sua responsabilidade perante o crime. O Sindicato busca informações sobre outras formas de apoio aos atingidos, inclusive, em Belo Horizonte.

Em contato com o MAB, os membros do Movimento relataram a necessidade de apoio, inclusive, financeiramente. Divulgamos abaixo campanha do Movimento, que faz um trabalho incansável de apoio aos atingidos e precisa de ajuda para manter suas atividades, no envio de brigadas para a região atingida em Brumadinho. As brigadas atuarão no auxílio ao processo de resgate das vítimas, apoio psicossocial e organização de busca e distribuição de bens de primeira necessidade.

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